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Tive o prazer de participar do 2º. Seminário de Jornalismo Esportivo realizado no início deste mês pelo Comunique-se no hotel Transamérica, em São Paulo. O evento contou com a participação de quatro jornalistas esportivos: André Rizek, revista Placar; José Silvério, Rádio Bandeirantes; Paulo César Vasconcelos, Sportv, e Eduardo Maluf; O Estado de São Paulo. Todos, profissionais conceituados da imprensa esportiva que passaram suas experiências para os universitários, profissionais da área e demais interessados que estiveram presentes.
Participei do evento por um golpe de sorte. Durante a semana, recebi um e-mail do portal Comunique-se para participar de um “quiz” (jogo de perguntas e respostas) que concederia, aos vencedores, a oportunidade de participar do evento gratuitamente. Após responder 15 questões sobre conhecimentos esportivos, recebi a notificação, via e-mail, de que eu era um dos vencedores.
Eufórico com a notícia, afinal não é sempre que surge uma oportunidade como esta, resolvi participar.
André Rizek abriu as atividades contando como foi produzida a reportagem que ficou conhecida como “A máfia do apito”, matéria publicada pela revista Veja em setembro de 2005 que denunciou fraude nas partidas de futebol comandadas pelos árbitros Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danalon durante os jogos dos campeonatos Paulista e Brasileiro.
Rizek, na época na Veja, detalhou os processos de apuração, produção e investigação da notícia e relatou a importância de se ter provas antes de publicar o trabalho. Para conseguir o furo de reportagem, Rizek entrou em contato com o árbitro suspeito, Edílson Pereira de Carvalho, e disse que a revista Veja pretendia fazer uma matéria sobre a vida dos árbitros de futebol, omitindo a real intenção da matéria para conseguir informações e provas contra o árbitro.
A atitude de Rizek foi questionada por outros jornalistas esportivos renomados, como Juca Kfouri, que considerou Rizek antiético de acordo com a real função de um jornalista, de sempre dizer a verdade. Para Rizek a situação é polêmica. Ele fez um pedido para que os universitários debatessem o caso na academia com seus professores.
O repórter relatou, também, a relação que o jornalista precisa ter com autoridades do Ministério Público e da Policia Federal, organizações que estiveram ao lado do jornalista em todo o processo da reportagem responsáveis pelas provas para que a reportagem não tenha problemas judiciais.
A segunda palestra foi feita pelo narrador esportivo José Silvério, conhecido como “o pai do gol”. Ele contou sua trajetória nos mais de 45 anos de carreira e como superou as dificuldades de sair de uma cidade do interior de Minas Gerais, Lavras, para se tornar um dos maiores locutores esportivos de todos os tempos. “Sempre sonhei ser locutor de rádio, desde criança quando narrava partidas de futebol realizadas pelos meus amigos nas ruas. Foi assim que consegui meu primeiro emprego, na rádio Cultura de Lavras”, disse.
Silvério falou, também, da importância dos futuros profissionais criarem seus próprios estilos. Foi assim que ele tornou-se um ícone do radiojornalismo esportivo criando jargões como “e que golaço”, “limpou, bateu, pra fora”. O “pai do gol” citou, também, uma técnica que desenvolveu para se diferenciar dos outros narradores que é estender a pronúncia das últimas sílabas das palavras, sua marca registrada.
O momento mais emocionante ficou para o fim quando ele foi homenageado com um vídeo sobre os momentos marcantes de sua carreira. Como o vivido na final da Copa do Mundo de Futebol em 2002 entre Brasil e Alemanha. Ao narrar o segundo gol do Brasil, marcado por Ronaldo Fenômeno, recitou um verso que virou um marco na sua carreia: “Se eu fosse poeta, faria da bola uma deusa, se eu fosse um cantor, faria de um grito de gol uma ópera, como eu não posso, eu grito GOLLLLLLLLLLLLLLLLL”.
Na segunda parte do evento foi a vez de Paulo César Vasconcelos debater com os participantes sobre a atual situação do futebol e do jornalismo esportivo no Brasil, sempre enfatizando a importância dos fatos para a informação esportiva. Para Vasconcelos, na imprensa esportiva atual há muito “achismo“, pouca apuração dos fatos e uma dependência enorme dos repórteres com os assessores de imprensa dos clubes de futebol. “Assessor de imprensa é advogado de defesa da empresa. O bom jornalista não pode voltar para a redação apenas com as informações do assessor, ele tem que investigar e procurar assuntos diferenciados para o seu público. O único patrimônio que um jornalista tem é a credibilidade, e não podemos perder isso”, defendeu.
O encerramento das atividades ficou a cargo de Eduardo Maluf, jornalista de 30 anos e com três Copas do Mundo no currículo. Maluf apresentou uma matéria investigativa feita por ele em 2001, intitulada “O golpe da peneira” e defendeu uma cobertura diferenciada pela mídia impressa, que devido à velocidade da internet e da televisão, leva ao seu público “notícias velhas”.
Maluf também contou histórias pessoais de sua carreira, as dificuldades que teve para conseguir um estágio e a sorte que teve em ganhar uma passagem para a Copa do Mundo de 1998 na França, quando ainda era estagiário do jornal A Gazeta Esportiva. “Os editores do jornal me mandaram cobrir o lançamento da bola oficial da Copa da França. Um evento chatíssimo que renderia, no máximo, uma pequena nota para o jornal, mas no final sortearam uma passagem para acompanhar a Copa do Mundo sem custos, e eu tive a felicidade de ser sorteado. Ao saber, meu chefe me presenteou com uma coluna no jornal, nomeada de “Um foca na Copa”, que contava fatos sobre os bastidores da Copa do Mundo de 1998”, explicou o repórter.
Com essa história, Maluf realçou aos universitários a importância da persistência e de estarem preparados no momento em que aparecer uma oportunidade. Maluf contou: “Antes de estagiar na Gazeta Esportiva, eu distribui currículos em várias rádios de São Paulo, até em rádios internas de Shoppings Centers, e nenhuma delas me respondeu”.
Entre tantas idéias e discussões sobre o jornalismo esportivo nota-se que o evento alcançou seu objetivo fazendo com que profissionais e futuros profissionais da imprensa esportiva façam uma reflexão sobre a cobertura esportiva atual. E que se preparem para que em um futuro próximo consigam fazer um jornalismo esportivo criativo e diferente do que há hoje em dia, pois este jornalismo está fadado à morte. 



